Estamos na Bretanha. O céu está baixo e cinzento, o vento cortante vindo do Atlântico. A estrada é estreita, ladeada por sebes e muros de pedra. Saímos de Morlaix há poucos quilómetros quando o volante puxou para a direita. Um pneu furado.
Encontrei uma entrada logo ao lado da estrada principal. Parecia a entrada de uma quinta ou de um terreno privado. Liguei para uma cadeia francesa especializada em reparação de pneus no local. Eles não vieram até onde estávamos estacionados. Perguntaram o tamanho do pneu e deram-nos um orçamento: 1021 euros. Era para dois pneus novos.
Liguei para a seguradora em Portugal. Disseram que iam ligar de volta com uma indicação. Esperámos.
Um homem saiu da casa. Disse que não podíamos ficar ali. Expliquei o problema do pneu. Ele olhou para a autocaravana e apontou para o outro lado da rua. “Há uma oficina ali. Eles podem ajudar.”
Atravessei a rua. A placa dizia TMC Meka, Canisy. O mecânico verificou os pneus. Abanou a cabeça. “O estrago é pior do que parece. Precisa de dois pneus novos.” Montaram pneus Michelin para autocaravanas. O total foi 400 euros.
Poupámos mais de seiscentos euros porque um vizinho nos mandou mudar.
O telefone tocou. Era a seguradora portuguesa. Disseram que podiam rebocar-nos para a oficina mais próxima. Olhámos para o mecânico e rimos. Já estávamos lá.
O Nivelador Voltou a Dar Problemas
Dias depois, estacionámos numa pequena área de campismo perto de Saint-Goazec. O terreno era irregular. Baixámos o nívelador Linnepe. O braço da frente direito já nos tinha dado problemas antes. Já tinha sido arranjado duas vezes. Desta vez, não subia.
Peguei no macaco e levantei a autocaravana o suficiente para libertar o braço. Consegui travá-lo. Nesse momento, uma autocaravana finlandesa estacionou ao nosso lado. O condutor desceu, viu o que estávamos a fazer e veio ajudar. Conhecia o sistema. Juntos, resolvemos o problema.
Uma autocaravana de Portugal e uma da Finlândia. O extremo sul e o extremo norte da Europa, a encontrar-se num pequeno parque de campismo na Bretanha.
Vemos Deus nestes momentos. Não numa voz alta, mas numa batida à porta. Num vizinho que aponta para o outro lado da rua. Num viajante finlandês que pára para ajudar. Nos pequenos detalhes que correm bem, exactamente quando precisamos.